Economia americana: A ciência em risco: os impactos da interrupção unilateral da cooperação internacional dos EUA no controle de doenças infantis

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Nos últimos meses, a comunidade científica internacional foi surpreendida por uma decisão que causou grande apreensão: os Estados Unidos, de forma unilateral, interromperam programas de cooperação com diversos laboratórios e universidades ao redor do mundo. Essa medida, tomada sem consulta ou aviso prévio a parceiros tradicionais, ameaça o controle de doenças infantis graves, como poliomielite, sarampo e febre tifoide, especialmente em países em desenvolvimento, incluindo os das Américas. A interrupção de parcerias científicas, sobretudo em áreas como a epidemiologia, imunologia e virologia, representa um retrocesso nos esforços de saúde global.
Historicamente, os EUA sempre foram protagonistas em projetos científicos multilaterais. Desde a criação dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em 1946, o país liderou diversas frentes no combate a pandemias e doenças endêmicas. A parceria com instituições como a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a OMS e centros de pesquisa da América Latina sempre foi vital no compartilhamento de dados, desenvolvimento de vacinas e elaboração de estratégias de contenção. A decisão atual rompe com essa tradição de diplomacia científica, intensificando uma tendência já observada em governos anteriores, marcada por políticas nacionalistas e restrição a acordos internacionais.
Entre os centros impactados estão universidades da Colômbia, México, Argentina e Brasil. A Fiocruz, referência em imunologia, relatou suspensão de intercâmbios técnicos e atrasos no recebimento de insumos laboratoriais compartilhados. Instituições como a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e a Universidade de São Paulo (USP) também sofrem com a perda de cooperação, que afetava estudos sobre a zika e outras doenças tropicais. Nos EUA, pesquisadores do CDC e do Instituto Nacional de Saúde (NIH) manifestaram preocupação com o enfraquecimento da rede global de monitoramento de doenças.
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A própria Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) classificou a medida como “um risco desnecessário à saúde pública global”. A suspensão de cooperação ameaça diretamente programas de vigilância de doenças como o sarampo, que vinha sendo combatido com eficácia através de campanhas internacionais. Com a interrupção da troca de dados e a ausência de protocolos coordenados, regiões vulneráveis podem se tornar focos de surtos.
A diplomacia científica é uma ferramenta poderosa de influência e cooperação internacional. Ela permite que países estabeleçam laços de confiança mesmo em contextos de rivalidade política. Ao romper com essa lógica, os EUA não apenas prejudicam o controle de doenças, mas também abrem espaço para que outras potências, como China e Rússia, ocupem esse vácuo. Em resposta, a União Europeia anunciou um fundo emergencial para manter ativa a cooperação com centros latino-americanos. A China, por sua vez, aumentou os investimentos em laboratórios da Bolívia e do Peru. O Brasil também iniciou tratativas com o Instituto Pasteur, da França.
Organizações como a OMS e a OPAS emitiram notas oficiais condenando a medida. A Iniciativa Global para a Saúde Infantil (GHI), em Genebra, lançou uma carta aberta assinada por mais de 3.000 cientistas, exigindo a retomada da cooperação. Na América Latina, ministros da saúde do Mercosul e da CELAC articularam uma frente de coordenação científica sem a mediação dos EUA. O objetivo é buscar alternativas regionais e garantir autonomia em pesquisas de vacinas e insumos.
Ciência – Perspectiva 1
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Apesar dos prejuízos imediatos, a crise pode gerar efeitos positivos a longo prazo. O fortalecimento de redes sul-americanas de pesquisa, o aumento da independência tecnológica e o investimento em universidades locais ganham destaque como prioridades políticas. A curto prazo, é urgente que os países afetados intensifiquem a cooperação entre si e com blocos como a União Europeia. Também é fundamental que a sociedade civil e a academia exerçam pressão política junto aos EUA, para que reconsiderem sua posição.
A decisão unilateral dos EUA de suspender a cooperação científica internacional ameaça os avanços conquistados nas últimas décadas no controle de doenças infantis. Mais do que uma medida administrativa, trata-se de um gesto com profundas implicações éticas, sanitárias e diplomáticas. A saúde infantil não pode ser refém de disputas geopolíticas. A ciência deve permanecer como um dos pilares da colaboração entre nações, especialmente quando vidas estão em risco. Resta agora à comunidade internacional demonstrar resiliência e fortalecer redes alternativas que garantam a continuidade dos avanços científicos, mesmo diante do isolamento de uma potência.
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Ciência – Perspectiva 2
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